Esta estação do ano podes vê-la em mim: folhas caindo ou já caídas; ramos que o frémito do frio gela; árvore em ruína, aves despedidas.
E podes ver em mim, crepuscular, o dia que se extingue sobre o poente, com a noite sem astros a anunciar o repouso da morte, gradualmente.
Ou podes ver o lume extraordinário, morrendo do que vive: a claridade, deitado sobre o leito mortuário que é a cinza da sua mocidade.
Eis o que torna o teu amor mais forte: amar quem está tão próximo da morte.
E mesmo sorrindo por aí, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.
Hoje eu queria um abraço daqueles que te sufoca de tão apertado e te protege de tudo. Hoje eu só queria ouvir ‘eu-te-procurei-pra-saber-se-você-tá-bem.